19.1.07

Breves notas

Alguns acontecimentos, dos últimos tempos, no campo da segurança, encarada na perspectiva daquela situação social que se caracteriza por um clima de paz, convivência e de confiança mútua que permite e facilita aos cidadãos o livre e pacífico exercício dos seus direitos individuais, políticos e sociais, assim como o normal funcionamento das instituições públicas e privadas, têm-me deixado algo perplexo.
Há alguns dias atrás foi o triste episódio da “Luz do Sameiro”, onde, em termos objectivos, como já tive oportunidade de por aqui referir, seis pessoas morreram a cinquenta metros da praia. Este assunto levantou algumas questões, tendo-se concluído que alguma coisa não estava bem e ao que parece estar-se-á a trabalhar nalgumas remodelações em termos de socorro a náufragos.
Depois surgiu o caso do cidadão que teve a infelicidade de estar envolvido num acidente na zona de Odemira, concelho que pertence ao Alentejo, parte do país que está em acelerada desertificação, mas não é só a desertificação populacional, é também a desertificação de meios, a qual leva a que as poucas pessoas que ainda teimam em por aí permanecer, mais ou cedo ou mais tarde tomem a irreversível decisão de rumarem para o atractivo Algarve, ou para Lisboa. E foi essa desertificação de meios que levou a que esse cidadão demorasse seis ou sete horas a chegar a um hospital onde fosse possível ser assistido no âmbito de uma especialidade, vindo a falecer quatro dias depois. Consta que a actuação do Instituto Nacional de Emergência Médica no acidente viário em Odemira não será alvo de inquérito.O acidente terá servido para tirar lições, como a "passagem em revista das circunstâncias de baixa densidade populacional e longa distância que condicionam a capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde em situações de urgência/emergência naquela região", tendo o ministro prometido mais meios.
Como se tudo isto não bastasse, ainda vemos constantemente elementos das Forças e Serviços de Segurança que nos deviam proteger, envolvidos em acontecimentos de onde resultam mortes de cidadãos e de elementos dessas forças e serviços ou ferimentos, levantando-se aqui a questão da sua preparação técnico-táctica e dos equipamentos que lhes estão distribuídos para que possam lidar com todo um vasto conjunto de situações com que se deparam no seu dia a dia. Mas também os vemos envolvidos em assaltos, em esquemas de segurança, cobranças difíceis, bem como em situações de tráfico de droga, o que advém sobretudo dos vencimentos auferidos, e do sucessivo emagrecimento destes, pois auferem praticamente o mesmo que em 2003, não obstante a inflação não ter parado de aumentar.
Para agudizar ainda mais este quadro, começou recentemente a ser levantada a questão da reformulação do quadro legal de combate à corrupção, tendo o deputado João Cravinho apresentado algumas propostas que foram de imediato apelidadas de «não adequadas, nem consistentes», pelo seu partido que se empenhou em apresentar um outro conjunto de propostas. Não nos podemos esquecer que a corrupção, conjuntamente com o branqueamento de capitais, a violência, o tráfico de influências, a intimidação e os códigos de conduta, são as traves mestras da actuação do crime organizado. Daí a importância de se dispor de um quadro legal que permita prevenir e reprimir o ilícito em causa, pois este funciona como um “lubrificante” na engrenagem do crime organizado, pelo que os líderes das redes recorrem frequentemente a esta prática, tendo como alvos preferenciais funcionários do Estado e elementos influentes dos partidos políticos, na sua essência, a corrupção, ao nível político administrativo de um Estado, consiste num acto secreto praticado por um funcionário ou por um partido político, que solicita ou aceita para si ou para terceiros, com ele relacionados, e por ele próprio ou por interposta pessoa, uma vantagem patrimonial indevida, como contrapartida da prática de actos ou pela omissão de actos contrários aos seus deveres funcionais.
Para completar, avizinha-se a passos largos, a época de incêndios e tudo o que lhe anda associado, esgrimindo-se argumentos em vários sentidos, desde organismos que não querem ser extintos, passando pela Liga dos Bombeiros Portugueses que se sente lesada naquilo que foi o seu feudo durante anos a fio, até ao Ministério da Administração Interna através do SNBPC e dos GIPS/GNR. Sendo que durante o ano de 2006 a área ardida finalmente diminui, para uns foi fruto do acaso, para outros das condições climatéricas, para outros da nova articulação implementada e onde se incluem o GIPS/GNR, estou profundamente inclinado para a última hipótese e espero que este ano se mantenha a tendência para a diminuição da área ardida.
Túlio Hostílio

6 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Tulio,tenho receio pela forma profundamente inclinada com que forma com os GIPS/GNR.
Cuidado, que sem querer pode oscular alguém, o que era deveras aborrecido, se for homem por motivos óbvios, se for senhora também pelos mesmos motivos.
Acho que o senhor já teve dias de escritos mais brilhantes....


Diácono Remédios

19.1.07  
Anonymous Anónimo disse...

Se se S.Pedro fosse louvado...?
Amigo, Túlio.
O tempo urge. Somente tive tempo de ler, como sempre, o teu blogue.
Ainda assim, um bom fim de semana.
PS: Quanto às novidades para algumas "forças de segurança", o Exercito esta perfilado para avançar com os seus - oficiais generais - para novas comissões naquelas.
Carros de combate para segurança das pessoas em tempo de paz?
"ABUSUS"

19.1.07  
Anonymous cortante disse...

Ainda vou ver isto bem pior, vejam o caso dos búlgaros......

19.1.07  
Blogger elsa nyny disse...

Olá!!!

Passei por cá!!!

Voltarei com mais calma e mais cedo!!! para ler melhor!!
Mas gostei!
Obrigado pelo convite!!

:))

20.1.07  
Anonymous GALEGO disse...

Ao Cortante
Fui buscar a notícia do Portugal Diário e coloquei-a aqui, por acho que é muito interessante e passível de alguma discussão.
"Polícias da cidade de Sófia, na Bulgária, têm tão pouco dinheiro que são obrigados a pedir blocos e canetas emprestados a lojas locais.
Polícias búlgaros são tão pobres que nem têm dinheiro para comprar blocos e canetas. Se tiverem de interrogar alguém, pedem blocos e canetas às lojas das proximidades, na cidade de Sofia, conta o site Ananova.
Mas isto não é tudo. Os agentes usam máquinas de escrever com quarenta anos, que são seguras com cintos, para não se desconjuntarem.
Noutra ocasião, tiveram de pedir fita a uma empresa de construção para selar um local onde tinha acontecido um crime, porque a deles tinha acabado."

20.1.07  
Anonymous Anita disse...

Olá bom dia, adorei que tivesse visitado o meu blog Amor Fraternal, volte sempre, será muito bem vindo.
Gostei do seu blog e voltarei com certeza.
Beijinhos
Anita

24.1.07  

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