8.1.07

"Claques - Estações de Serviço"

Um dia destes, depois de ter embarcado em Campanhã, enquanto o comboio iniciava o seu galope desabrido rumo ao sul, comecei a folhear o JN, tendo-me chamado a atenção uma notícia, intitulada: “Vigiar claques nas auto-estradas deixa Postos da Guarda Nacional Republicana sem guardas”.
Segundo a notícia, os Comandantes de alguns Destacamentos Territoriais contestavam o facto de durante os dias em que decorrem determinados jogos de futebol, serem mobilizados efectivos da GNR para determinadas áreas de serviço ao longo da A1. Resultando daí o desguarnecimento dos Postos Territoriais que por isso não poderiam garantir a segurança das populações nas respectivas zonas de acção. Acrescentando-se que tal serviço deveria ser desempenhado pelas empresas de segurança privada.
Numa força de segurança como a GNR existem mecanismos que permitem ultrapassar tais dificuldades pontuais, terá é que haver um planeamento antecipado, para que em tempo útil se possa lançar mão deles. E, assim seja possível fazer face às solicitações que decorrem da actividade normal e a uma outra ocasional - excepcional que advém da deslocação das claques.
Os espaços referidos, por um lado são acessíveis a um público vasto e indiferenciado, e por outro lado têm um proprietário privado, podendo aí actuar empresas que desenvolvem a denominada actividade de segurança privada, a qual consiste numa actividade exercida por particulares que mediante laços de complementaridade e subsidiariedade com o sistema de segurança pública, visa proteger pessoas e bens, bem como prevenir e dissuadir a prática de acções ilícito – criminais, através de duas modalidades: a prestação de serviços por entidades privadas, legalmente constituídas para o efeito e a organização por quaisquer entidades de serviços de auto protecção, através de trabalhadores vinculados por contrato individual de trabalho.
Contudo, esta actividade que segundo a minha opinião mesmo em termos de prevenção situacional é de eficácia duvidosa, desenvolve-se através da colaboração e não da concorrência com as forças de segurança e serviços de segurança do Estado, logo numa posição de subsidiariedade perante estes, complementando-os, embora de uma forma substancialmente diferenciada, no âmbito da prossecução do interesse público, agindo de acordo com critérios de legalidade e responsabilidade.
Pelo que se deve deixar bem vincado que a GNR como força de segurança, não se pode demitir daquilo que lhe é determinado como missão geral no Artº 2º da respectiva lei orgânica, nomeadamente, na alínea a) “garantir, no âmbito da sua responsabilidade, a manutenção da ordem pública, assegurando o exercício dos direitos, liberdades e garantias”, na alínea b) “manter e restabelecer a segurança dos cidadãos e da propriedade pública, privada e cooperativa, prevenindo ou reprimindo os actos ilícitos contra eles cometidos”, e na alínea g) “auxiliar e proteger os cidadãos e defender e preservar os bens que se encontrem em situações de perigo, por causas provenientes da acção humana ou da natureza”.
Acresce ainda que nas estações de serviço, em situações deste género, pode não estar apenas em causa o património dos proprietários destas, mas também o dos clientes (v.g. viaturas), bem com a integridade física dos respectivos funcionários e clientes, tratando-se de uma questão muito mais complexa do que aquilo que à primeira vista possa parecer.
Se, em matéria de segurança, seguirmos na senda da privatização, esta converter-se-á num serviço de luxo, e só alguns terão acesso a ela, felizmente para nós que existe o Artº 27º da CRP, onde se refere que “todos têm direito à liberdade e segurança”.

Túlio Hostílio

6 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

No entanto direi eu caro Túlio, o GIPS,foi criado para defender essencialmente propriedade privada, a mata pública em Portugal já pouco existe, e no entanto ele "mexe-se".
Oba, Oba achei! Porque não colocar o GIPS, nas estações de serviço na época de Inverno, a época do futebol? Os "duros" militares do GIPS, que saíram quase todos do Batalhão Operacional, de certeza vão estar ao nível de enfrentar as claques.
Agora dizer ao pessoal da bomba para contratar a Securitas, essa para mim é de "paisano". Ou tiveste pejo em propor o pessoal do Posto ou o NIC em remunerado? Estou a brincar, sei que não és desses!


O Oficial de Alta Escola

9.1.07  
Anonymous Anónimo disse...

Caro Oficial de Alta Escola são os tais mecanismos que existem numa força de segurança como a GNR e que permitem ultrapassar tais dificuldades pontuais, como refere o Túlio no texto.
Quanto aos remunerados tenho uma expressão para eles "vade retro".

NOSTRADAMUS

10.1.07  
Anonymous Anónimo disse...

Caro NOSTRADAMUS, é melhor tratá-lo com delicadeza, porque nunca se sabe.... Dizem que você tinha um feitio desgraçado...
Como deve saber, senão pode adivinhar, o que deve ser fácil para si, na GNR não é fácil planear com antecipação.
Normalmente no QG, nas sextas feiras às 17H30, o fax "arde" de tanto trabalhar. É a partir da recepção desses documentos, que os Comandantes de Destacamento que não gostam de futebol sabem que nos dias seguintes a "coutada" da Brigada de Trânsito, e que em "complementariadade" vão ter de policiar, vai ser atravessada por hordas de bárbaros, hunos, vândalos e por aí fora...
Logo o planeamento.... Já se sabe...
Por isso, vamos lá fazer o que sabemos fazer bem... Improvisar, cortar folgas, acabar com a operação nocturna de sexta à noite, a célebre e quase sempre gloriosa, operação "cueca",e, como somos muito religiosos, rezar a Deus para que tudo corra bem...
Espero que agora com "o arranque" do célebre, Gabinete de Prospecção e Planeamento Estratégico, seja lá isto o que for, se possa planear finalmente qq coisa, que não sejam carreiras e outras "finezas individuais".

Já agora amigo Túlio, para quando a discussão sobre as "nomeações", de amigos e amigas das Chefias, para cargos, cá e lá, que dão guito e nalguns casos muito?
Será pedir muito que pelo menos os interessados possam meter o papelinho a dizer que também gostavam de ir?
Qd eu era miúdo dizia-se que o treinador Pedroto, o Zé da Boina, recebia 15%, de todas as contratações de jogadores da bola a Norte do Mondego.
Será que na Guarda, também é como na Roménia, onde os "bafejados pela sorte", têm de contribuir para um "fundo de pensões comum"?
Eu não acreditava em bruxas... Mas agora que você veio desassossegar-me o espírito, já não sei!

Será verdade que o ex-comando e geógrafo falhado, está a preparar a sua retirada? Para já está a colocar "os seus delfins e delfinas", (quase todos),em "zonas interditas" aos mais comuns "zés" da Guarda.Pois é Camané, agora com a intranet é uma gaita! O pagode ficar logo a saber tudo na hora e os segredos são mais difíceis de guardar!

O Oficial de Alta Escola

10.1.07  
Anonymous Anónimo disse...

Senhor Oficial de Alta Escola, essa versão que voçê apresenta é aquela que conduz a notícias como aquela que saiu no JN, por isso há que mudar mentalidades e a partir daí mudar tudo o resto.
NOSTRADAMUS

11.1.07  
Anonymous Anónimo disse...

"OFICIAL DA ALTA ESCOLA"

Nem sempre do "saber nasce a luz"...
Há sempre alguém que resiste nos "corredores da alta escola". É pena!!!

OBS) Não é para entender.

ABUSUS

12.1.07  
Anonymous "O Gangas" disse...

Amigo Abusus, essas suas palavras deviam poder ser entendidas pelo público em geral.
É que nessas parcas palavras diz muita coisa.
E sim, devia ser para todos poderem entender.

19.1.07  

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