9.2.07

A Burocracia

A burocracia implica uma hierarquia definida de autoridade; regras escritas que dirigem a conduta dos funcionários (que trabalham a tempo inteiro e recebem um salário); a separação entre as funções dos funcionários dentro da organização e a sua vida no exterior; os membros das organizações não são donos dos recursos materiais com que trabalham.A defesa, a segurança, a saúde, a educação, são exemplos de sectores públicos organizados segundo modelos burocráticos, independentemente da personalidade ou do estilo dos seus funcionários superiores.
Tem duas características chave:
1. Os cubículos, onde imperam os executivos especializados, os quais controlam a sua informação.
2. Os canais de circulação, o terreno de eleição dos administradores que controlam a informação que circula pelos canais.
No entanto esta articulação conduz a uma exagerada especialização que nalguns casos atinge proporções monstruosas, e que constitui um entrave à circulação de informação, cada vez em maior quantidade.
Ora, isto leva a que se utilizem canais de recurso, lateralizando os canais hierárquicos, lançando a confusão absoluta e total no sistema.
Num mundo globalizado, onde o crime não tem fronteiras, nem conhece zonas de acção geograficamente definidas através de régua e esquadro, qualquer organização que combata o crime, tem de cuidar acima de tudo da obtenção da informação, do respectivo processamento e circulação, a qual não pode transitar através das vias paralelas, devendo ter acesso à mesma apenas quem precise e quando precise, mas em tempo oportuno.
Tal desiderato só se consegue com uma adesão total e sem reservas às denominadas novas tecnologias que permitem a comunicação entre a base e o topo à velocidade de um clique e não com o recurso aos tradicionais e morosos sistemas, ainda baseados no fax, telefone e carta.
Porque o crime vai sempre um passo à frente, e exemplo disso é uma notícia publicada no Le Monde Fr[1], acerca do acesso a chaves de criptagem em milésimos de segundos, há uma luta contínua, a qual tem de ser vencida através de uma plataforma tecnológica sólida e em permanente evolução e de um conjunto de recursos humanos altamente competentes, tanto ao nível de actuação no terreno, como no domínio das novas tecnologias, porque um factor complementa o outro e é da boa articulação entre ambos que resulta o sucesso. Mas isto, além de ser aplicado à vertente operacional deste tipo de organizações, deve ser aplicado a todas as outras vertentes, designadamente às administrativo-logísticas.

Túlio Hostílio

[1] (versão electrónica) disponível em http://www.lemonde.fr/web/article/0,1-0@2-651865,36-835944@51-835781,0.html

14 Comentários:

Anonymous desalojado de chelas disse...

Isto parece que anda tudo combinado, pois já hoje vi para uns comentários idênticos, a propósito de uma fábrica de Mercedes e de um outro carro que se fabricava na ex-RDA.

9.2.07  
Anonymous jeremias, o fora da lei disse...

... de chelas,
também eu tenho saudades do arre macho.

9.2.07  
Anonymous Anónimo disse...

Seria eminentemente instrutivo conhecer, por cada "corpo de tropas", o peso do papel que se enche de tinta anualmente...para o administrar, chefiar e comandar. A estatística não dá infelizmente ainda, na hora actual, este esclarecimento que constituiria um índice revelador, dos mais preciosos, da força ou da fraqueza dum Pais: O peso do papel escrito deve estar, provavelmente, na razão inversa do valor do "corpo de tropas".
É um assunto a pensar...

PS: Amigo Túlio, tenho lido, com atençao, os comentários, mas a falta de tempo deixa-me "incapaz" de comentar.

Estive em França, Japão e Estados Unidos....e quase esqueci este "jardim" à beira mar plantado.
Porém, volto sempre pela fé, pelas crenças e pelas superstições e, também, porque quero morrer em Portugal....
Abraço

"ABUSUS"

10.2.07  
Anonymous Cleópatra disse...

"Burocracia é a arte de transformar o possível em impossível" - Marie Von Ebner, mas rejubilemos... Em Portugal temos já os 333 passos contra a burocracia, segundo o autor(Sr Eng. Sócrates) e passo a citar "estes primeiros passos são, de facto primeiros passos, porque outros virão..."...Bizarro! Somos assim, mas somos FELIZES.

PARABÉNS, muito bom o blogue...
Cleópatra

10.2.07  
Blogger Conceição Bernardino disse...

Olá,
A perfeição é uma forma imperfeita que se apodera
De tudo o quanto é belo
ConceiçãoB
Uma boa semana
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

11.2.07  
Blogger Conceição Bernardino disse...

Olá,
“A paciência tem mais poder do que a força”. Não meça um ser humano pelo seu poder político e financeiro. Meça-o pela grandeza dos seus sonhos e pela paciência em os executar.
Frase de Plutarco,


ConceiçãoB
Uma boa semana
http://amanhecer-palavrasousadas.blogspot.com

13.2.07  
Anonymous Anónimo disse...

Correio das Beiras

Antes de mais permitam a minha apresentação:
Sou um humilde servidor da causa publica que ao longo de duas décadas de dedicação exclusiva tem calcorreado montes e vales deste Portugal profundo, o que não me deixou muito tempo disponível para cuidar devidamente a prole entretanto constituída, e muito menos para cultivar o espírito, exercitar a mente e enriquecer o curriculum a roçar os fundilhos pelos bancos das fábricas de sabedoria que viraram moda nos últimos tempos.
Por isso peço desculpa aos ilustres e preclaros escribas deste espaço opinativo, que eu cumprimento com admiração e reverência, pela fragilidade do meu raciocínio e pela imperfeição da minha escrita.
Mas já que com tanta insistência é solicitada a colaboração de todos, permitam-me a ousadia de corresponder ao desafio com estas mal amanhadas frases que, com esforço tentarei que expressem o pensar e o sentir deste vosso provinciano amigo.
Sinceramente acho que a discussão à volta da chamada reestruturação das FS uma perda de tempo por falta de oportunidade – o que agora a nossa inteligentzia anda deliciada a discutir já o devia ter feito há muito tempo e por antecipação. Nesta altura do campeonato o que é importante já está decidido, e como seria de esperar não contou com nenhum contributo interno. Acham que o CG (e não só), que sempre se deu bem com a imobilidade vigente há décadas na Guarda, tinha autoridade moral para junto do poder politico regatear fosse o que fosse?
Não sei se o que o futuro nos reserva será melhor ou pior do que o que temos hoje, mas confesso que não estou muito preocupado com isso.
Se calhar estava mais apreensivo se soubesse que o meu futuro profissional iria ser decidido pelos iluminados do costume, e que o mesmo dependia dos jogos de influência que os seus interesses e estratégias particulares ditassem no momento.
Até breve.

Ass: O Correio das Beiras

13.2.07  
Anonymous Túlio Hostílio disse...

Ao Correio das Beiras:
Quero-lhe dar as boas vindas a este espaço. Continue...

13.2.07  
Anonymous kgb disse...

Achei graça a um aritgo publicado no blogue policiabrasil.blogspot.com. é só carregar no link.

13.2.07  
Blogger maria disse...

Há imensas afirmações curiosas, aqui e nos outros posts, que me fazem pensar a importância da dita "importância da escolaridade" para todas as actividades da vida. Talvez tente explicar o que quero dizer com isto, já de seguida: trabalho na educação, na dita educação de nível superior, ainda por cima. Creio que o que de mais importante se deve esperar (exigir) da Escola, qualquer que seja o seu nível ou grau, é a qualidade. Qualidade no sentido de excelência da preparação para pensar e agir reflectidamente de cada uma das pessoas que passe por essa etapa de vida escolar. Posto isto, quanto mais o indivíduo passe pelos bancos da Escola, mais estará preparado para pensar por si (mais deverá ter desenvolvido capacidade de reflexão!), mais estará preparado para agir de acordo com a avaliação ponderada de cada situação, mais estará pronto a assumir-se com ser de reflexão e acção. Quer dizer... quanto mais e melhor for o nível de escolarização dos sujeitos, mais se deve poder esperar deles e mais deve, cada um dos indivíduos, ser capaz de dar resposta eficaz a cada solicitação e na circunstância em que as questões se lhe colocam.
Será que escrevi alguma coisa em jeito perceptível? Na verdade, parece-me que também bastaria fazer assim: agarrar uma ideia aqui do post -
"Porque o crime vai sempre um passo à frente..."
Importa que todos (e digo Tod@s sem excepção) deviamos estar preparados para a sua detecção (claro, cada qual no seu meio, na sua zona de saber) e tod@s deviamos ser capazes de, especialmente, trabalhar no sentido da prevenção. Fará isto e será capaz disto, tão melhor, quem melhor esteja preparado. E creio que essa preparação se faz melhor quanto melhor se experimentar a Escola...
(sim, lá está, talvez esteja a defender aquilo que é o meu barco, a Escola... mas é lá, principalmente, que se encontra terreno fértil para a preparação das rotinas do pensar e das formas de pensar criativamente, complementando-se, assim, saber e saber fazer, pensar e saber pensar, criar e saber por em prática o pensado!)

15.2.07  
Blogger maria disse...

ah...
mas este post é o da burocracia como título...

:)
Bom, como disse antes, saber pensar também implica estar capaz de pensar para lá da hierarquia ou, em caso de necessidade, sem que a questão da hierarquia prenda movimentos... calculo que isto não seja simples... aliás, a ideia que tenho das forças de segurança, e de toda a panóplia militar, no fundo, leva-me a crer que será mesmo terrivelmente difícil isto de pensar para lá da hierarquia mas... num mundo verdadeiramente composto por sujeitos educados... (pois sim, num mundo ideal) talvez nem a necessidade de hierarquia se colocasse.
Quanto mais de perdas de tempo e oportunidade por questões burocráticas...
Mas claro, este está longe de ser um mundo ideal!

Creio que o apelo (se estrito!) ao desenvolvimento das competências ao nível das tecnologias, pelo incrível trabalho que permitem, não é suficiente... mas isto é ainda outra guerra e, esta, vai demorar a travar!

(ufff... chega de paleio, por hoje!)

15.2.07  
Anonymous Anónimo disse...

Tem toda a razão, Maria.

Antes de mais nada os meus agradecimentos pela sua “intromissão” neste espaço.
Escutar a opinião de quem está fora do “sistema” é uma atitude saudável e da mais elementar higiene intelectual, porque o normal é analisarmos estas questões com os óculos institucionais que cada um adopta para si, e que não raras vezes prejudicam mais do que ajudam a visão.
De facto a escola não faz mal a ninguém, e eu também concordo com o princípio de quanto mais escola melhor, independentemente de sabermos que a escola em Portugal não é a fonte de virtudes que idealmente deveria ser. Mas as instituições que é suposto aqui serem discutidas também não o são, pelo menos tanto quanto deveriam ser.
Mas elevar o patamar de exigência das habilitações literárias dos candidatos às forças de segurança só por si não é panaceia para as deficiências do desempenho de funções efectivas; é apenas um princípio.
O ideal seria adoptar um processo de selecção que avalie com o maior rigor possível as aptidões do candidato em conformidade com os requisitos da função a desempenhar, incluído capacidades culturais, intelectuais, físicas, psicológicas e outras – mas fazer isto anualmente a mais de 15 mil candidatos e com prazos apertados, convenhamos que não é tarefa fácil.

Maria, este não é de facto um mundo ideal.

Ass. O Correio das Beiras

15.2.07  
Anonymous Anónimo disse...

"Se alcançares algo de valor, é por estarmos apoiados nos ombros de gigantes que nos precederam..." (Sir Isaac Newton)

Janela do Carmo

15.2.07  
Anonymous Anónimo disse...

“…Se tal não acontecer, é porque não soubeste ultrapassar a mediocridade que herdaste.” (Correio das Beiras)

16.2.07  

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