7.2.07

A Gripe das Aves

Tendo em conta o conceito de segurança que defendemos, afigura-se-nos que entre a segurança (security) e a protecção e socorro (safety) não existe uma separação, uma fronteira, mas antes um “continum”.
É nessa linha que se aborda a questão da gripe das aves, a qual se trata de uma doença
[1] causada por um grupo de vírus ARN da família Ortomixoviridae, onde também estão incluídos outros vírus da Gripe (Iinfluenza A) nomeadamente alguns das gripes Humanas. O vírus que está atingir as aves, embora seja um subtipo de vírus tipicamente aviário (H5N1), também se transmite esporadicamente aos Humanos, por via respiratória e conjuntival, especialmente os que contactam com as aves doentes e ou infectadas. Foi o que aconteceu com os diversos de humanos atingidos sendo que mais de seis dezenas acabaram por ser vítimas mortais.
Atendendo a que o vírus é muito patogénico para as aves, especialmente para as domésticas, existe o risco de a doença se propagar a outras regiões transformando-se numa panzootia (animais) ou numa pandemia (Homem): quer através do comércio de animais vivos com interesse comercial quer através dos grandes fluxos migratórios de aves que ocorrem usualmente em diversas estações do ano.
A disseminação do vírus na natureza é efectuada por aves silvestres, especialmente as aquáticas (patos, gansos, cisnes, galeirões, abibes, gaivotas, maçaricos, cegonhas), aves nas quais este vírus, em regra, não tem grande expressão clínica.
As aves silvestres que tendo estado doentes sobreviveram à doença ou as aves que estando infectadas não expressaram doença (portadores assintomáticos) constituem o principal risco para a propagação do vírus de umas regiões para outras.
Face à natural impossibilidade de controlar os movimentos das aves migradoras, as autoridades sanitárias internacionais (OMS
[2],[3], OIE[4]) e as de cada Estado, preconizam uma série de medidas que têm por objectivo evitar o contágio das aves domésticas, ou seja irão ser aplicadas medidas que funcionam como “barreiras sanitárias” capazes de cortar a possibilidade das aves silvestres entrarem em contacto com as aves domésticas.

De acordo com os novos «Cenários preliminares para uma eventual pandemia de gripe»[5], elaborados pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA), é provável um cenário de mais de 30 mil mortos se uma pandemia de gripe atingir Portugal.
Os peritos consideram provável que, com uma taxa de ataque de 30 por cento, existiriam 3.106.835 casos de gripe, 3.624.641 numa taxa de ataque de 35 por cento e 4.142.447 perante a mais severa taxa de ataque (40 por cento).
Para a taxa de ataque total mais baixa (30 por cento), e num cenário sem intervenção, o número «mais provável» de óbitos seria 24.038, valor bastante superior ao indicado nos cenários de 2005 (9.571 óbitos).
No cenário mais severo (40 por cento) o número «mais provável» poderia atingir o valor de 32.051 óbitos, enquanto uma taxa de ataque de 35 por cento poderia resultar em 28.044 óbitos.
Têm um alto risco de complicações todos os indivíduos com pelo menos uma doença crónica, para a qual está indicada a vacinação contra a gripe sazonal.
Os cenários indicam que existem 8.064.353 portugueses com baixo risco de complicações e 2.291.764 (22 por cento) com alto risco. A maior percentagem de cidadãos com alto risco de complicações tem 65 ou mais anos (46 por cento), sendo seguida pela faixa etária entre os 15 e os 64 anos (20 por cento) e dos zero aos 14 anos (10 por cento).
Neste momento não há nenhuma vacina contra a gripe das aves, dado que é preciso esperar que surja uma estirpe que consiga passar de pessoa para pessoa para a elaborar.
Mas há no mercado dois fármacos antivirais usados para diminuir os efeitos da gripe, o oseltamivir
[6] e o zanamivir[7], os quais são inibidores das neuraminidases dos vírus influenza A e B os quais são muito bem tolerados. Contudo, a sua eficácia está dependente de um diagnóstico precoce (só são eficazes se iniciados até às 48 horas após o início dos sintomas) o que limita a sua utilidade terapêutica, Portugal terá encomendado 2 500 000 doses individuais de oseltamivir.

Dez medidas para evitar a gripe das aves
[8]:

1. Mantenha-se saudável, através de uma alimentação equilibrada, exercício físico regular e horas de sono necessárias. O vírus da gripe causa mais estragos em pessoas debilitadas fisicamente. Quanto mais em forma estiver, mais defesas terá o seu corpo.

2. Os grupos de risco – idosos, crianças, portadores de doenças crónicas, profissionais de saúde e pessoas que lidem com aves – devem vacinar-se contra o surto normal de gripe. Não há nenhuma vacina contra o vírus que preocupa as autoridades, mas esta, pelo menos, evita que o vírus H5N1 se misture com a estirpe comum dentro de um hospedeiro.

3. Os criadores de aves devem mantê-las fechadas, de forma a impedir qualquer tipo de interacção com espécies selvagens. Os comedouros, por exemplo, têm de ficar vedados às aves migratórias.

4. Os profissionais de matadouros e criadores de aves devem lavar as mãos sempre que mexem nas aves. E devem ter em atenção que as penas e, principalmente, as fezes dos animais são as principais incubadoras do vírus.

5. Aos primeiros indícios de gripe tome inibidores de neuraminidase (dificultam a disseminação do vírus). O oseltamivir e o zanamivir são os medicamentos indicados pela Organização Mundial de Saúde; devem ser tomados 48 horas após os primeiros sintomas.

6. Antes de viajar para a Ásia (a única zona com casos de transmissão a humanos), vacine-se contra a gripe e leve medicação; não parta sem passar pela consulta do viajante.

7. Nos países de risco, evite contactos com aves (nos mercados, por exemplo) e com pessoas com sintomas gripais. Dê especial atenção à higiene, lavando as mãos com frequência e tendo sempre à mão toalhetes desinfectantes.

8. O vírus pode sobreviver no animal morto. No entanto, morre com temperaturas acima dos 70°C, pelo que a ingestão de carne cozinhada não provocará contágio. Não misture carne pronta a comer com carne crua nem use em ambas a mesma faca.

9. Os ovos, que por vezes são comidos crus e podem transportar o vírus na sua superfície, devem ser alvo de especial atenção – evite pratos que os usem crus ou mal cozidos.

10. Informe-se sobre a evolução do vírus e esteja atento às recomendações das autoridades. Use a linha telefónica de saúde pública – 808 211 311 – para se aconselhar e tirar dúvidas sobre o assunto.

Túlio Hostílio

[1] http://www.min-agricultura.pt/oportal/extcnt/docs/FOLDER/PROT_TEMAS/F_PECUARIA/
[2] http://www.who.int/en/
[3] http://www.who.int/csr/disease/influenza/H5N1-4new.pdf
[4] http://www.oie.int/esp/es_index.htm
[5] http://www.insarj.pt/site/insa_artigo_01.asp?artigo_id=833
[6] http://www.infarmed.pt/prontuario/framenavegaarvore.php?id=411
[7] http://www.infarmed.pt/prontuario/framenavegaarvore.php?id=411
[8] http://visaoonline.clix.pt/default.asp?CpContentId=328277#10%20medidas%20para%20evitar%20a%20gripe%20das%20aves

5 Comentários:

Anonymous Almeirante Pessanha disse...

Bom, tendo em conta a discussão que vinha de trás, quem, nas Forças de Segurança irá agarrar as competências relacionadas com a Gripe das Aves?

7.2.07  
Anonymous jeremias, o fora da lei disse...

No SEPNA, há um Major que sabe de tudo sobre aves.
Aliás ele próprio é uma ave!!! Agora estive bem!!
E temos os ex-GF,(1)para os mais distraidos. Desde que a crise rebente nos dias úteis, de dia e com break para o almoço. Fora destes períodos o OE (2) tem que lhes pagar HE(3).
Como vê almirante, na GNR, está tudo previsto, o nosso Comandante já sabe e só falta assinar!!!
Volta "gravatinhas",(4) estás perdoado, os que cá ficaram fizeram-te parecer um "cromo inteligente".

(1)Guardas Florestais
(2)Orçamento de Estado
(3)Horas Extraordinárias
(4)Um célebre Coronel de Cavalaria
na reforma

7.2.07  
Anonymous almirante pessanha disse...

Mas olhe que a PSP ficou soberba e já tem o Ambiente na mira, veja esta notícia do JN.
«A protecção do ambiente está, desde ontem, na mira da PSP com a entrada ao serviço de duas brigadas especializadas na Guarda e Gouveia, as únicas cidades do distrito com esquadras da Polícia de Segurança Pública. No terreno já estão seis agentes cuja missão é reduzir as infracções ambientais naqueles núcleos urbanos, assinalando situações e autuando os responsáveis. O comandante distrital promete "mão pesada" para os prevaricadores.
"Esta equipas têm como áreas de actuação prioritárias os resíduos sólidos urbanos, as viaturas abandonadas, bem como os óleos e baterias deixadas na via pública, para além dos animais mortos e abandonados. Aliás, esta é uma das preocupações que os guardenses mais nos têm feito chegar nesta altura do ano", refere Luís Viana.
Num segundo plano, até porque a época de incêndios já está a terminar, o comandante distrital da PSP coloca a protecção de matas e habitações, pois os agentes vão fazer um levantamento das situações "mais problemáticas".»
Nós é que não lhe podemos tocar nas "vacas sagradas" do CI, GOE, CSP e estruturas afins.
Para não ficar mal até se prontificam a perseguir os perigosos prevaricadores que deixem os cães largar o "cocó" (como dizia aquele rapaz abichanado que participou em diversos programas culturais da TVI) dos "lulus", senão veja-se esta pérola do jornalismo português: «"Os donos do cães que se cuidem. A PSP vai começar a multar quem levar os canídeos a fazer o passeio higiénico e não apanhe os dejectos. Esta é apenas uma das áreas a que as novas Brigadas de Protecção Ambiental (BRIPA), já a funcionar no comando distrital de Santarém, vão estar atentas."» Não deixa de ser um ilícito com alguma gravidade, pois podem acontecer algumas cenas idênticas às que constam do filme em anexo.

7.2.07  
Blogger Vera disse...

Os meus sinceros parabéns pelo blog e pela informação sobre a gripe das aves. É um tema cada vez mais actual e que na realidade assusta e nada como estar informado e saber o que fazer.

Beijinhos

8.2.07  
Blogger Elsa Sekeira disse...

Olá!!! Passei por cá!!
Informações muito uteis!!
Obrigado!!!
Continua!!

:))

www.eu-estou-aki.blogspot.com
www.mae-e-filho.blogspot.com -

8.2.07  

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